Suplementação alimentar – um ato que deve ser feito com responsabilidade

Suplementação alimentar – um ato que deve ser feito com responsabilidade

Nutrição
Nutrição

Uma pesquisa realizada em 2012 mostrou que o percentual de indivíduos adultos que consomem a quantidade recomendada de frutas e hortaliças é de 17,7% e entre os idosos é de 28,4% [1]. As frutas e hortaliças são ricas em vitaminas e minerais (micronutrientes) essenciais para uma dieta saudável [2]. Alimentação rica em frutas, legumes e verduras tem sido associada ao auxílio na diminuição do risco de doenças pulmonares crônicas e obstrutivas, incluindo a asma e a bronquite. Isso é devido à ação antioxidante de nutrientes como os carotenoides (precursor da vitamina A, encontrado em vegetais verdes escuros e frutas de coloração amarela ou avermelhada) e o ácido ascórbico (vitamina C). Alimentos ricos em carotenoides também atuam evitando o desenvolvimento de xeroftalmia (dificuldade de enxergar, principalmente durante a noite), cataratas e outras doenças oculares, além de auxiliar na imunidade do organismo contra infecções. Já o ácido ascórbico aumenta a absorção orgânica do ferro de origem vegetal, ajudando a evitar o desenvolvimento de anemia ferropriva. Por outro lado, é importante ressaltar que os vegetais não contêm vitamina B12, que, junto com o folato (ácido fólico ou vitamina B9), participa da formação das hemácias (células vermelhas do sangue), do metabolismo de ácidos graxos e aminoácidos. As principais fontes da vitamina B12 são os alimentos de origem animal [3]. Em paralelo, pode haver a ingestão inadequada de alimentos que não trazem o balanço essencial dos carboidratos, proteínas e gorduras (macronutrientes) [4]. Os macronutrientes são associados principalmente ao aporte energético, mas além disso, são responsáveis por funções metabólicas e estruturais no organismo. As frutas, legumes e vegetais também são fontes de fibras alimentares, que são carboidratos não disponíveis para absorção. As fibras alimentares podem conter compostos antioxidantes, e ambos estão associados com a diminuição do risco para o desenvolvimento de hiperlipidemia (excesso de gordura no sangue), doenças cardiovasculares e câncer de intestino [3]. Em alguns casos, além de mudanças na dieta, é necessária a suplementação de macro e micronutrientes [5].

No entanto, é necessário ter cautela no momento da suplementação, pois a tendência crescente do consumo de suplementos de vitaminas e minerais é preocupante quando não bem acompanhada por um especialista [6].

Além disso, é importante enfatizar que o consumo acima do recomendado de magnésio, ferro, zinco, selênio, vitaminas A, C, D, E, B6, B12 e B3, bem como o beta caroteno podem acarretar a um quadro de toxicidade, levando a diversos sintomas, desde diarreia até efeitos hepatotóxicos [6]. Além do excesso poder levar a um quadro de toxicidade, não há um consenso se a ingestão diária de multivitamínicos auxiliam ou não na propensão de desenvolver doenças crônicas não transmissíveis. Isso porque cada indivíduo tem sua particularidade e fatores como: diferentes faixas etárias, dietas, prática de exercício físico, escolhas de estilo de vida, como fumar e beber, podem afetar a saúde e, por consequência, mudar as necessidades diárias e como cada corpo responde à ingestão dos nutrientes [7].

Portanto, ingerir nutrientes essenciais para o bom funcionamento do nosso organismo é essencial para uma vida saudável. Sempre lembrando que cada indivíduo tem uma necessidade específica, por isso é importante saber o que o seu médico ou nutricionista indica com base no seu perfil.

Referências
1 - Secretaria de Vigilância em Saúde, Ministério da Saúde. VIGITEL 2012. Vigilância de fatores de risco e proteção para doenças crônicas por inquérito telefônico. Brasília: Ministério da Saúde; 2013.
2 - United States Department of Agriculture (USDA). National Nutrient Database for Standard Reference Release.
3 - Brasil, Ministério da Saúde. Secretaria de Atenção à Saúde. Coordenação Geral da Política de Alimentação e Nutrição. "Guia alimentar para a população brasileira: promovendo a alimentação saudável." (2006).
4 - Landi, Francesco, et al. "Anorexia of aging: Risk factors, consequences, and potential treatments." Nutrients 8.2 (2016): 69.
5 - Devries, Michaela C., and Stuart M. Phillips. "Supplemental protein in support of muscle mass and health: advantage whey." Journal of food science 80.S1 (2015): A8-A15.
6 - Wooltorton, Eric. "Too much of a good thing? Toxic effects of vitamin and mineral supplements." Canadian Medical Association Journal 169.1 (2003): 47-48.
7 - Harvard T.H. CHAN. School of Public Health. Supplement Studies: Sorting Out the Confusion (2017).

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